O trem-bala Rio-São Paulo será totalmente subterrâneo nos trechos urbanos de São Paulo e Rio de Janeiro. A informação é do diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Bernardo Figueiredo. “Esse decisão já tinha sido definida há mais tempo, só não foi divulgada ainda por não termos concluído os estudos técnicos”, afirmou. De acordo com Figueiredo, a expectativa é de que esses estudos estejam prontos até o fim deste mês. “Temos um prazo até o final deste mês para que esteja concluído de forma que possamos submetê-lo à aprovação do Tribunal de Contas”, disse ao UOL Notícias.
Os trechos subterrâneos já estavam previstos no projeto de referência (feito por uma consultoria britânica) – que é usado como base para os estudos de viabilidade do trem-bala e que tem servido para consulta pública -, mas a diferença é que agora essa será uma exigência do projeto final. “Em São Paulo será todo subterrâneo, vai ser uma exigência. Antes existia flexibilidide, a possibilidade de discutir alternativas. Mas agora já está definido e passa a ser uma exigência do projeto”, disse.
No Rio, o projeto segue a mesma linha, e o trecho subterrâneo também passa a ser exigência do projeto, sem possibilidade de alternativas. Na capital carioca, o trecho subterrâneo ganha ainda o acréscimo de cerca de 4 km de túneis, e passa a ter, no total, aproximadamente 15 km, segundo Figueiredo.
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Os túneis vão da estação Leopoldina (próxima a estação ferroviária) até a saída para Duque de Caxias, de acordo com o diretor-geral. Em São Paulo, seriam cerca de 15 km, que “começam pouco depois do aeroporto internacional de Guarulhos e vão até a saída para Jundiaí, englobando todas as áreas densamente povoadas”.
Dos cerca de 511 km da obra, já estão previstos 90,9 km de túneis (ou 18% do total), além de 107,8 km de pontes (21%) e 312,1 km de trechos de superfície (61%) – que será cercado por muros e cercas – no projeto-refência. Segundo o diretor-geral da ANTT, com os novos trechos subterrâneos, o total de túneis sobe para “cerca de 100 km”.
Figueiredo contou que essa decisão não foi motivada pela polêmica causada pelo projeto em locais por onde o trem-bala passará, em especial na capital carioca. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) questionou o traçado, que atravessaria o campus da universidade e atrapalharia seus planos de expansão. O diretor-geral da ANTT encontrou-se na quarta-feira (19) com representantes da universidade.
Questões como segurança e interferência no meio ambiente seriam os motivos da nova exigência, segundo Figueiredo. “A linha elevada gera interferência no meio urbano, além de ter um método construtivo complicado. Há a questão da segurança, pois passa pela Linha Vermelha, e da velocidade, que no trecho subterrâeno pode ser maior”, explicou. “A decisão foi tomada indepedentemente desta questão. Antes disso já havia essa decisão. Foi uma reavaliação do traçado no Rio, e vimos que era mais conveniente, até do ponto de vista orçamentário”, afirmou.
De acordo com Figueiredo, a nova imposição do projeto não deve aumentar o custo total da obra, orçada em R$ 34,626 bilhões. Figueiredo diz que pode até haver uma “diminuição, ainda que não significativa, nos custos”, mas não detalhou valores, nem a forma como se dará essa redução.